
Ervas medicinais, parte 2: hortelã, erva-doce, guaco, hibisco e babosa
A primeira parte deste guia apresentou boldo, alecrim, camomila e companhia. A pedidos, aqui vai a segunda rodada das plantas mais presentes nos quintais e xícaras do Brasil — sempre com o mesmo espírito: o que a tradição diz, o que a ciência confirma e onde mora o cuidado.
Hortelã (e sua prima poderosa, a hortelã-pimenta)
A mais democrática das ervas: cresce em vaso, vai no suco, no chá e no tempero. É uma das plantas com melhor evidência para desconfortos digestivos — má digestão, gases, enjoo leve. O aroma refrescante do mentol também dá sensação de alívio em narizes congestionados (sensação — o descongestionante mesmo é outro assunto).
Cuidado: quem tem refluxo importante pode notar piora (a hortelã relaxa a válvula do esôfago).
Erva-doce (e o funcho)
O chá clássico “para os gases” — dos bebês aos avós (nos bebês, só com orientação pediátrica!). Uso tradicional reconhecido para cólicas e digestão, sabor adocicado que dispensa açúcar, e presença garantida na cozinha. Das ervas mais seguras no uso comum.
Guaco
O xarope caseiro mais famoso do Brasil. O guaco tem uso tradicional reconhecido como expectorante em tosses com catarro, e contém cumarina — substância com efeito no afinamento do sangue. Justamente por isso:
Cuidado especial: quem usa anticoagulantes deve evitar guaco sem aval médico. E tosse que dura mais de 2–3 semanas não é caso de xarope: é caso de consulta.
Hibisco
O chá vermelho e azedinho virou moda “emagrecedora” — calma lá. O que os estudos sugerem de mais consistente é um efeito modesto na pressão arterial. Interessante? Sim. Mas por isso mesmo:
Cuidado: quem toma remédio de pressão deve conversar com o médico antes de tomar hibisco todo dia (o efeito pode somar). Gestantes devem evitar. E nenhum chá emagrece sozinho — desconfie sempre dessa promessa.
Babosa (aloe vera)
A rainha do uso externo: o gel da folha tem bom respaldo para aliviar queimaduras leves de sol e irritações de pele, e é presença em cosméticos do mundo todo.
Cuidado importante: uso interno (sucos, “vitaminas” com babosa) é outra história — a casca contém compostos laxativos agressivos, e o consumo por conta própria não é recomendado. Babosa brilha por fora, não por dentro.
As regras de sempre (que valem dobrado)
- Erva é composto ativo: informe seu médico sobre chás frequentes, principalmente se usa anticoagulantes, remédios de pressão ou antidepressivos;
- Gestantes, lactantes e crianças: sempre com orientação profissional;
- Compre de fonte confiável ou cultive — identificação errada é risco real;
- Sintoma persistente pede consulta, não dose maior de chá.
← Voltar para o blogAviso: este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de médicos e farmacêuticos. Plantas medicinais têm contraindicações e interagem com medicamentos.